Animação cultural + A ficção como cesta: Uma teoria

 “Animação cultural” Vilém Flusser

O texto é narrado sob o ponto de vista de uma mesa redonda que reivindica a criação do direito dos objetos. Nesse sentido, o autor ironiza o papel dos objetos no cotidiano, pois o protagonista reitera sobre como os objetos tornaram-se indispensáveis e indissociáveis desse dia a dia. Para sustentar essa narrativa ele alude a teoria da criação divina pelo barro, a qual ele relaciona o conceito de “animação cultural” de forma mais ampla. Como solução ele traz: “Eliminados os mitos e os demais preconceitos humanos, a situação se revela simples. Temos, de um lado, o terreno dos fenômenos inanimados, estudado pela física e as demais ciências exatas. Temos, de outro lado, o terreno dos fenômenos animados, estudado pela biologia e demais ciências inexatas, inclusive a antropologia. E temos, finalmente, o terreno dos objetos, estudado pelas ciências da cultura.”. Por fim, ele reivindica  a inversão da relação homem-objeto.

   Sendo assim, sobre esse texto podemos tirar a crítica central que é a dependência do homem moderno nos objetos e o papel deles em nossas vidas. O autor pode ser relacionado com o conceito de “indústria cultural “ da Escola de Frankfurt, pois além dos pontos abordados, o texto trata do esvaziamento da cultura que as ferramentas propõe no cotidiano humano. Pode-se ver essa questão também sob a perspectiva de Bauman, em que ele propõe uma modernidade volátil e pouco sólida em decorrência dos avanços tecnológicos e seus impactos.


“A ficção como cesta: Uma teoria" Ursula K. Le Guin

   Em suma, o texto propõe uma abordagem de contar a história da humanidade sob a perspectiva dos recipientes. Ela critica a fixação humana pela violência, tragédia e heroísmo, reiterando que todas as histórias são contadas sob esse viés, por exemplo, na antiguidade de 65-80% do que se comia era coletado, porém os livros trazem a caça como a protagonista. Essa valorização da violência, vai desde os livros de história até as mitologias. Ela inverte essa narrativa ao propor a história sobre o ponto de vista dos recipientes ( cestos, potes, casas), abordando sobre como eles são mais relevantes para a humanidade que as armas.

   Com isso, a autora faz o leitor ponderar sobre as verdadeiras necessidades humanas, pois os recipientes não são abordados ou vangloriados todavia, muitas vezes, são mais importantes que as armas ou atos heroicos, afinal o que seria da humanidade sem casas ou lugares para armazenar as coisas? 


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