Fichamento livro "Lições de Arquitetura" de Hertzberger

 Lições de Arquitetura

A- Domínio Público

  1. Público e Privado

  • As dicotomias público/privado e individual/coletivo são frágeis e não abrangem o todo.

  1. Demarcações Territoriais

  • O posicionamento de locais podem determinar seu nível de acesso (zona central da Biblioteca de Paris por exemplo), da mesma forma que os materiais usados também determinam essa questão.

  • O encorajamento da existência de zonas semi públicas ou semi privadas sem uma demarcação territorial rígida .

  1. Diferenciação Territorial:

  • A distinção de posicionamentos e materiais determina também o grau de utilização e manutenção da área.

  1. Zoneamento Territorial:

  • A tendência da desumanização dos espaços fazem com que os usuários percam o sentimento de responsabilidade sobre o espaço;

  • Papel do arquiteto em ponderar seu impacto com os envolvidos permitindo a personalização do espaço, seu proveito e versatilidade.

  1. De Usuário a Morador:

  • Tendência dos arquitetos de não incluírem o morador no projeto, as escolas Montessori e Apollo têm práticas que permitem a independência dos alunos ao permitirem a personalização de áreas.

  1. O “Intervalo”:

  • Zonas que permitam uma transição menos brusca do ideal de público e provido, o principal exemplo é a soleira que permite um convívio semipúblico na porta de entrada;

  • Outros exemplos: zona de entrada como extensão ( De Overloop, Lar para Idosos), meia-portas (De Drie Hoven, Lar para Idosos), escada como elemento de integração (Residências Documenta Urbana), telhados de vidro (Cité Napoléon, Paris, 1849).

  1. Demarcações Privadas no Espaço Público:

  • Zonas intermediárias;

  • Exemplos: corredores como ruas ampliando a influência dos moradores à escala pública (De Drie Hoven, Lar para Idosos), área da frente projetada como parte da calçada para cada morador usar do próprio modo (Residência Diagoon) e ponta de uma área triangular, na esquina uma igreja , no centro do pátio há um tanque de areia dividido em segmentos, cujas laterais foram decoradas por mosaicos dos moradores (Moradias Lima).

  1. Conceito de Obra Pública:

  • Dar aos espaços públicos uma forma tal que a comunidade sinta-se responsável e inclusa nela;

  • A burocracia tem sua importância mas deve ser ponderada, pois ela e o controle de cima para baixo podem endurecer a sociedade.

  1. A Rua:

  • Motivos para sua desvalorização: tráfego motorizado, organização sem critérios das áreas de acesso, assentamento dos blocos, diminuição da densidade populacional e a crescente do individualismo;

  • A rua deve ser compreendida como espaço de convivência; é papel do arquiteto dar as construções o máximo acesso direto das construções à ela;  incentivos às galerias, aos assentamentos em faixas com duas entradas, formas de construção que ampliam o contato entre vizinhos (Royal Crescents, Bath, Inglaterra e Het Gein, Moradias), pátios internos e halls comunitários;

  • Necessidade da arquitetura e o planejamento urbano serem complementares;

  • Crítica aos apartamentos que são privados desse acesso direto à rua.

  1. O Domínio Público:

  • O espaço público como lugar para, ações, celebrações e expressão da pluralidade de componentes individuais;

  • Pensar não só na estética como também na funcionalidade e na versatilidade (layouts funcionais: Palais Royal, Piazza del Campo, Plaza Mayor etc) para alterarem seus usos conforme o tempo;

  • Os lugares estão sendo modernizados e individualizados como fontes para a lavagem de roupas substituídas por máquinas de lavar (Fonte Dionne, Tonnerre, França).

  1. O Espaço Público como Ambiente Construído:

  • A partir do século XIX teve-se o aumento do número de prédios e sua popularização como espaço de convivência;

  • Esse espaço foi moldado pelo comércio e intercâmbio social (Vichy, França), crescimento do transporte (Les Halles, Paris), tentativas de centralização das atividades (Centros Comunitários, F. Van Klingeren e a Torre Eiffel) e a expansão do consumo (lojas de departamento).

  1. O Acesso Público ao Espaço Privado:

  • É papel do arquiteto facilitar esse acesso por meio de: galerias, múltiplas entradas (Edifícios de Escritórios Centraal Beheer), princípio de ordenamento, aproveitamento do espaço e esquina funcional (Cinema Cineac, Amsterdam);

  •  Atmosfera depende das dimensões, da forma e da escolha de materiais, exemplos: menos formal para atrair outros públicos (Centro Musical Vredenburg), hall/rua interna como extensão da rua (Hotel Solvay), uso da madeira para ter a sensação de estar dentro (Passage Pommeraye) e funções de exterior e interior invertidas (A Carta, Pieter de Hoogh).

B- Criando Espaço, Deixando Espaço

  1. Estrutura e Interpretação:

  • Reciprocidade da forma e do uso;

  • Relação entre interpretação coletiva ou Individual;

  • Diferentes interpretações.

  1. Forma e Interpretação:

  • Estrutura é geral e a interpretação é específica;

  • A forma ou estrutura permanece a mesma, porém, sua interpretação muda com o tempo ou diferentes interpretações podem coexistir.

  1. A Estrutura como Espinha Dorsal Gerativa: Urdidura e Trama:

  • Interpretações diversas coexistindo;

  • A urdidura como base e a trama como detalhes;

  • Projetos devem incentivar interpretações diversas, princípio estruturador (urdidura) deve expandir as possibilidades, as estruturas devem absorver as mudanças, moradores devem ter voz ativa;

  • Plan Libre: colunas livres, paredes curvadas, o que cria condições de liberdade (Villa Savoye).

  1. Grelha

  • Projeto de ordenamento urbano;

  • Elaboração das quadras por vários arquitetos (Ensanche, Barcelona);

  • Sistema retangular rígido (Manhattan);

  • Regulamentação x Liberdade de Escolha: um conflito para se ter ou não a opressão no sistema de grelha.

  1. Ordenamento da Construção:

  • Estruturas devem acomodar todas as inserções possíveis;

  • É quando as partes do conjunto definem o todo;

  • Como pequenas cidades autônomas (Orfanato, Amsterdam, De Drie hoven, Lar para Idosos, Ministério de assuntos Sociais);

  • Espaço de trabalho no telhado com a possibilidade de inserir mais (LinMij);

  • Bloco básico polivalente, estrutura básica mais zonas interpretáveis;

  • Nos estilos arquitetônico cada elemento tem sua função e combina com outros segundo regras fixas, essa rigidez é desencorajada pelo autor. 

  1. Funcionalidade, Flexibilidade e Polivalência:

  • Arquitetura funcionalista: “A rápida obsolescência de soluções demasiadamente específicas conduz não só à disfuncionalidade como também a uma grave falta de eficiência.”;

  • Neutralidade é a falta de identidade e a flexibilidade traduzida como incerteza;

  • A arquitetura ideal é aquela que o usuário pode alterar sem perder a identidade;

  • “A reciprocidade da forma e do programa”, a característica primordial da cidade é a mudança.

  1. Forma e Usuários: O Espaço da Forma:

  • Os projetos deveriam deixar o usuário interpretá-los de modo a integrá-los a seu ambiente.

  1. Criando Espaço, Deixando Espaço;

  • O arquiteto deve sugerir diversas possibilidades, além de deixar margem para a interpretação dos usuários;

  • Exemplos: blocos iluminados para a convivência (Alojamento para estudantes Weesperstraat); elementos com diversos usos como blocos e cavidades (Escola Montessori), alojar feiras (Praça Vredenburg), esqueleto completado pelo usuário (Moradias Diagoon), terraço levantado e vigas multiuso. 

  1. Incentivos:

  • Colunas cilíndricas e livres são adequadas por não atrapalharem a passagem;

  • Pilastras como demarcações do espaço;

  • Encorajamento de alterações pensando no usuário (Moradias, Berlim);

  • Blocos perfurados para construção como exemplos de reciprocidade de forma e uso.

  1. Forma como Instrumento:

  • Usuário e a forma interagem, tem que haver identificação. Independência do morador com intermédio do arquiteto.

C- Forma Convidativa

  1. O Espaço Habitável entre as Coisas:

  • O enfoque no uso do espaço a partir do espaço entre as coisas e não os objetos, aproveitando ao máximo suas particularidades;

  • Exemplos: Calçada Levantada, Buenos Aires; parapeitos compridos e largos (Alojamento para Estudantes Weesperstraat); corrimões (La Capelle, França); "Brise-Soleil” : “grade fixa de concreto formada por planos horizontais e verticais, além de proteger do sol, é claro, as estruturas em forma de favos, com seus nichos profundos, servem também a outros objetivos menos evidentes” de Le Corbusier; colunas (Escolas Apollo, Amsterdam e Praça de São Pedro, Roma); escadas (Escolas Apollo, Amsterdam e De Evenaar, Escola, Amsterdam).

  1. Lugar e Articulação:

  • Criar espaços menores dentro de um maior através de articulações e divisões nem sempre físicas;

  • Exemplos: muros baixos, assentos para a expansão de locais (De Drie Hoven), pequenos tanques de areia (Escola Montessori).

  • Deve-se buscar a máxima capacidade de um lugar e explorar todas as possibilidades.

  1. Visão I:

  • O arquiteto deve procurar o equilíbrio entre visão e reclusão, pois o quanto e como nós vemos o espaço ou somos vistos altera nossa percepção sobre ele;

  • Exemplos: diferentes níveis nas salas para diferentes níveis de contato (Escolas Montessori), diferentes níveis na escada (Alojamento para Estudantes Weesperstraat), sacadas.

  • “Também a individualidade de todos deve naturalmente ser respeitada tanto quanto possível, e devemos zelar para que o ambiente construído não imponha o contato social, mas, ao mesmo tempo, jamais imponha a ausência de contato social.”

  1. Visão II:

  • “Trazer o mundo exterior para dentro.”;

  • Uma arquitetura mais ampla e aberta;

  • O uso de vidro e curvas para iluminar e trazer esse olhar mais aberto (fábrica Van Nelle), articulação infinita a partir da mobília, abertura de um canto, janelas.

  1. Visão III:

  • “O espaço da arquitetura também compreende uma resposta aos outros fenômenos e camadas de significado presentes em nossa consciência pluralista.”, esse novo movimento do século XX trouxe um caráter de movimento para a arquitetura;

  • Arquitetura como uma “janela para o mundo”;

  • “Nossa arquitetura deve ser capaz de acomodar todas essas diversas situações que afetam a maneira como um edifício é entendido e usado. Ela não só deve ser capaz de adaptar-se às condições mutáveis do tempo e às diversas estações, como deve também adequar-se para ser usada tanto durante o dia quanto durante a noite; deve ser deliberadamente projetada para responder a todos esses fenômenos.”

  • O caráter alienante da arquitetura.

  1. Equivalência:

  • Não há hierarquia entre os elementos, independência isolada de cada um, porém se relacionando uns com os outros;

  • O valor dos elementos é dado pelo seu uso não pelo projeto;

  • A disposição e a forma muda nossa concepção, por exemplo: “A mesa redonda oferece condições idênticas a todos que se sentam: não há nenhuma sugestão espacial quanto a quem pode ser mais importante do que os outros. Com uma mesa retangular, a situação é obviamente diferente.”;

  • Frentes e fundos e seu papel: “O exemplo dos diversos estágios de desenvolvimento da igreja de São Pedro e da praça de Bernini mostra como os arquitetos podem abusar do espaço com o objetivo de impressionar, ou inversamente, como podem usá-lo para ajudar a criar igualdade entre homens e coisas.”;

  • A arquitetura deve ser convidativa e confortável para todos, sem distinção.

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