Exposições: Giramundo + Maré de Matos

 Giramundo: cultura entalhada 

  A exposição em cartaz no Palácio das Artes, “Bonecos Giramundo”, conta com um acervo de aproximadamente 600 peças da companhia, as quais marcaram sua trajetória desde o seu início na Belas Artes em 1970 até seu legado sustentado por Bia Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares. 

 A primeira parte da exposição perpassa pela fase intitulada “Período Lagoa Santa” (1971-1976), momento inicial do grupo em que a tríade, Álvaro Apocalypse, Tereza Veloso e Madu, contava com recursos reduzidos. Ao todo foram seis montagens: A Bela Adormecida (1971), Aventuras no Reino Negro (1972), Saci Pererê (1973), Um Baú de Fundo Fundo (1975), A Bela Adormecida (remontagem de 1976) e El Retablo de Maese Pedro (1976), mesmo com as limitações essa fase foi de suma importância para o crescimento do grupo. Além disso, um adendo importante ao referir-se a esse início é que ele se deu em plena ditadura militar no momento em que as expressões eram limitadas, sendo assim um símbolo da resistência da cultura e um levante contra o regime autoritário.

  Ademais, a segunda e terceira parte compreendem o período universitário e se divide em “Período Clássico UFMG” (1979-1988) e “Período UFMG Tardio” (1990-1999). Esse momento foi marcado pela estabilidade e instalação do Giramundo na UFMG, com o sucesso do grupo ele se afirmou como um intérprete do Brasil com a incorporação de temas e autores nacionais em seus espetáculos. Alguns espetáculos desse período:  El Retablo de Maese Pedro (1976), Cobra Norato(1979), O Auto das Pastorinhas (1984), O Guarani (1986) e Giz (1988).

 A “Coleção Álvaro Apocalypse” finaliza na seção “Giramundo Século XXI”, especificamente no “ Período Institucional”(2000-2004), momento evidenciado pela saída do grupo da UFMG e a necessidade de uma nova sede. Em 2003 o Giramundo despediu-se de Álvaro Apocalypse e Terezina Veloso, o grupo fixou-se na rua Monte Carmelo e abriu seu teatro na Avenida Silviano Brandão, em 2001 inaugurou seu museu e iniciou seu curso de marionetistas. O espetáculo “Os Orixás”(2001) encerrou de forma inigualável a obra de Álvaro.

  O restante da seção “Giramundo Século XXI” é marcada por mostrar os desafios de manter e seguir um legado tão emblemático, ilustra os empecilhos de inserir o Giramundo no audiovisual e nas criações digitais, ao mesmo tempo que responde de forma incisiva a pergunta “O Giramundo vai continuar?”, e sob a liderança de Bia Apocalypse, Marcos Malafaia e Ulisses Tavares têm-se mais que uma resposta, vê-se uma promessa de dar continuidade para um projeto que constrói uma identidade nacional.

   Portanto, essa exposição não mostra apenas bonecos e acessórios de palco, ela mostra a cultura entalhada. Os bonecos ilustram de forma fenomenal não apenas períodos do grupo como também períodos da história do país desde a repressão da ditadura até a digitalização da identidade nacional. O grupo Giramundo será eternizado como um símbolo da força brasileira e de nossas produções.

A primeira vez que voei foi na pág. 35

  O que é linguagem?

  Esse é o questionamento que irá permear essa análise, uma vez que essa exposição utiliza da multidisciplinaridade para situar o leitor em diversas situações comunicativas pouco convencionais.

   Maré de Matos utiliza da fotografia, das texturas, palavras, libras e outras formas de expressão para elucidar o leitor de que nem todas as formas linguísticas têm relação com a escrita ou a arte figurada.

   Um dos dizeres da intervenção é “ Oralidade não tem ordem”,  o qual leva o espectador a considerar não apenas nas obras expostas, mas também no seu cotidiano em situações que o entendimento não depende só da língua, outras questões como: formas, cores, gestos e outros pontos são imprescindíveis para a comunicação.

    Portanto, a artista aloca o apreciador a refletir a respeito de como o uso de outras fontes de linguagens é  diminuído ou subjugado. Sendo assim, como resposta ao questionamento primário da discussão tem-se que a linguagem é tudo que gera uma comunicação ou compreensão de conceitos não se limitando às normas ou preconceitos sociais.


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