Exposições: Marlene Barros: Tecitura do Feminino + MEME: no Br@sil da memeficação

 Marlene Barros: Tecitura do Feminino

  A citação mais pertinente para iniciar a discussão dessa exposição é de Simone de Beauvoir: ”Não se nasce mulher, torna-se mulher”, frase presente na própria coletânea da artista. Essa máxima acompanha o espectador ao longo dela, uma vez que Marlene usa da tecelagem para trazer a atmosfera de construção do feminino.

 A intervenção mescla a tecelagem com fotografia, colagem e a pintura, cada parte dessa multidisciplinaridade sustenta o ideal central de mostrar e problematizar como a identidade feminina é construída por uma sociedade patriarcal, que menospreza e viola corpos e vivências de mulheres.

   As obras em sua totalidade denunciam desde a violência direta e indireta contra a mulher, até o ideal sexista introduzido nos indivíduos. Com o auxílio da colagem e da costura a artista evidencia a fragmentação do feminino que ocorre por conta dessas problemáticas.

  Em um contexto de sensações essa exposição evoca um sentimento de choque no espectador por tratar de assuntos delicados, sendo essa atmosfera mantida não apenas pelo tema, como também pela escolha de cores e formas, esse sentimento de peso contrasta com a leveza física das obras, essa dualidade evoca a forma como a sociedade aborda esses óbices deixando a experiência ainda mais imersiva.


   Portanto, a partir dessa troca multidisciplinar  a autora impacta quem aprecia as obras e conscientiza sobre a importância dessa temática de de seu debate, promovendo identificação e elucidação de ações normatizadas pela sociedade, evoca-se então, mais uma vez, a ideia de que o sexo feminino foi constituído para um meio machista e esse tipo de intervenção artística corrobora para sua desconstrução.


MEME: no Br@sil da memeficação

   Meme é uma expressão cultural? 

   Esse questionamento permeou minhas observações durante a exposição. A sociedade tende a desconsiderar as intervenções digitais como algo relevante ou seriamente impactante para a construção de uma identidade nacional. Todavia, ao longo da experiência analisada percebe-se que cada vez mais nossas mentalidades são intermediadas e moldadas pelo âmbito tecnológico.


   Ademais, a intervenção mencionada tem como fundamento expor diferentes formas de expressão midiática ao decorrer da história, ela ilustra desde denúncias da ditadura até problemas atuais. Dessa forma, os veículos tecnológicos e analógicos tem como função facilitar propagação de discursos diversos, fazendo com que o ideal social seja moldado ou reafirmado.

    Assim, uma indagação que pode ser retirada dessa discussão é “Até que ponto essa expressão sem mediação é interessante e até onde ela pode ser controlada?”. Tem-se duas perspectivas principais retiradas desse debate.

    Primeiramente, em governos autoritários usa-se do controle da mídia para alienar a população e abafar ações contra o regime. Em contraponto, vê-se que a falta de fiscalização e conferência de informações corrobora para a disseminação de informações falsas e discursos de ódio, exemplificando temos as “fake news” e comunidades como os “red pills”, comunidade baseada na misoginia.

     Portanto, nota-se que cada vez mais o ambiente virtual tem se mostrado uma forma presente de expressão cultural, e intervenções como essas ilustram essa situação, uma vez que seleciona e documenta eventos virtuais que passam, muitas vezes, de forma despercebida do pressuposto de identidade, além de representar essas dualidades digitais. 



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